Um brasiliense vai ao espaço

Há quatro anos, Lucas Brasileiro esteve à beira da morte. Hoje, depois de vencer um tumor no cérebro, se prepara para ir à Lua.

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Há quatro anos, Lucas Brasileiro esteve à beira da morte. Hoje, depois de vencer um tumor no cérebro, se prepara para ir à Lua.

O sonho de se tornar um astronauta está cada vez mais próximo para o aluno graduado no curso de Engenharia Aeroespacial pela Universidade de Brasília (UnB). Aos 30 anos de idade, Lucas acabou de participar de um treinamento prático no vulcão Mauna Loa, Ilha Grande do Havaí.

Esta missão análoga à lunar, chamada EuroMoonMars -— International Moonbase Alliance (IMA) e HI-SEAS — faz parte do processo que capacita integrantes e testa na Terra o habitat que será utilizado em missões lunares e marcianas.

A Nasa e a Agência Espacial Europeia trabalham neste local buscando aprimoramento e têm investido em missões mais específicas para análises psicológicas, de estrutura e pesquisa.

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Enquanto estavam na base, os cientistas convidados não tinham contato com o mundo exterior e a comunicação com a equipe de controle possuía um atraso, para coincidir com os 20 minutos que as ondas de rádio demoram para percorrer o caminho entre a Terra e Marte/Lua.

“Como engenheiro-chefe da missão, tomei conta de todo o habitat. Analisando os sistemas, níveis de CO2, energia por bateria solares, consumo de água, produzindo relatórios… Se houvesse um problema, eu teria que resolver.”

A equipe foi composta por seis cientistas da área espacial, sendo geólogos, engenheiros mecatrônicos, engenheiros aeroespaciais, cada qual com uma função diferente em sua área de estudo.

Lucas afirma que a rotina cotidiana incluía preparação de refeições liofilizadas, um minuto de banho diário e saídas de campo para análises, no seu caso, com perfurações para aprimoramento mecânico estrutural em metais. Durante sua experiência, os participantes só puderam acessar o exterior do alojamento com trajes especiais.

“Sempre tive interesse pelo espaço. Desde muito novinho, fui fascinado com tudo o que diz respeito ao cosmo.”

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Este projeto leva em consideração a experiência acadêmica de Lucas na área espacial. Antes de finalizar sua graduação na UnB, ele foi selecionado para um projeto de extensão e especialização da Airbus na ISAE-SUPAERO, em Toulouse. Escola líder em educação superior na área de tecnologia aeroespacial.

Durante este período, participou de um projeto que visava enviar um foguete lançador de satélites para o Centro de Lançamento de Alcântara no Brasil. Hoje, ele se encontra cursando doutorado na Universidade de Tecnologia de Troyes, também na França.

“Essa movimentação estreitou relações para que eu o meu perfil fosse aprovado para a missão”, explica ele. Mas em nenhum momento imaginei que realmente passaria pelo processo seletivo. Então, a segunda parte foi conseguir alguns patrocinadores e, surpreendentemente, chegar onde estou.”

Para ele, estes foram apenas os primeiros passos da jornada que o levará à realização do sonho de ser astronauta. Viver esta simulação foi sua primeira experiência prática na área.

Mas nem tudo foi fácil. Casado e pai de uma criança de 9 anos, revela que estar afastado de pessoas próximas e não ter notícias do cotidiano exigem maturidade e controle emocional.

Ajuda para enfrentar a doença

Em 2016, quando descobriu um tumor no cérebro, ele não tinha um plano de saúde. Para seu tratamento, criou uma vaquinha online que arrecadou mais de R$ 50 mil em 24h.

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O jovem se comoveu com a solidariedade dos internautas.

“Eu me sinto grato por todas as experiências que passei para chegar onde estou. Estar doente em 2016 foi doloroso, mas foi um período de muitas provas e demonstrações de carinho e de amor. Se tornou um divisor de águas na minha vida.”

E complementa: “Essa reviravolta, esse momento de alegria, são experiências que eu preciso passar para chegar em algum lugar. Mas todas as experiências boas e ruins, fazem parte da construção de quem eu sou. E todos que me ajudaram através de orações, doações e mesmo indicações, fazem parte deste trajeto”.

Por enquanto, ele se concentra nas missões até a Estação Espacial Internacional, que orbita a Terra há 20 anos.

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