Resultados das perícias do caso Letícia Curado devem sair nesta terça

Deve sair, nesta terça-feira (3/9), o resultado das perícias do assassinato da advogada, ocorrido em 23 de agosto. Mais três supostas vítimas de Marinésio compareceram à 31ª Delegacia de Polícia, em Planaltina, para prestar depoimento

Marinésio usava carro para fazer transporte pirata e atrair vítimas


Peritos do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil devem concluir nesta terça-feira (3/9) os laudos (cadavérico, do carro e do local onde o corpo foi encontrado) referentes à morte da advogada Letícia dos Santos Curado de Melo, 26 anos, ocorrido em 23 de agosto passado. O resultado indicará se a vítima sofreu violência sexual por Marinésio dos Santos Olinto, 41, assassino confesso. A análise permitirá que o material genético dele seja cruzado com o banco de dados de mulheres violentadas e mortas na capital para apontar possíveis crimes cometidos pelo cozinheiro. Além de Letícia, ele também confirmou ter matado, em junho deste ano, a auxiliar de cozinha Genir Pereira de Sousa, 47.

Conforme informações da Polícia Civil, Marinésio é indicado como suspeito em possíveis 14 casos. Somente na tarde desta segunda-feira (2/9), três mulheres procuraram a 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) e afirmaram que foram atacadas pelo cozinheiro. O relato mais antigo é de uma confeiteira de 39 anos, que, após sofrer uma tentativa de estupro e ameaça de morte, decidiu deixar o Distrito Federal. O caso ocorreu em 2011.

A vítima contou que estava em uma parada de ônibus de Sobradinho, aguardando o coletivo para Planaltina, onde trabalhava na época. Durante a espera, Marinésio teria passado de carro no local e afirmado ser motorista de transporte pirata. “Entrei no veículo e tentei dar o dinheiro da passagem, mas ele não aceitou. Nesse momento, já achei estranho. Pouco tempo depois, ele começou a passar a mão em mim”, relembrou.

“Fiquei desesperada. Mas disse que faria tudo que ele quisesse e, assim, ele ficou mais tranquilo. Contudo, ele continuou passando a mão em mim, até chegar nas minhas partes íntimas”. O suspeito desviou o trajeto para Planaltina e parou o automóvel em um local deserto. “Foi quando consegui fugir, correndo. Ele ainda puxou meu cabelo, me xingou muito e fez ameaças de morte. No entanto, consegui me desvencilhar e sair de lá”, afirmou

A confeiteira foi para casa e, com medo de ser atacada novamente pelo acusado, decidiu não prestar queixa na polícia. Ela se mudou para Águas Lindas de Goiás. Quando a prisão de Marinésio foi divulgada, ela procurou a 31ª DP por telefone. Nesta segunda-feira (2/9), agentes da unidade a buscaram na Rodoviária do Plano Piloto, para que ela registrasse o boletim de ocorrência. “Senti-me encorajada pelas outras mulheres que morreram e pelas que sobreviveram. Agora, só quero vê-lo pagar pelos próprios crimes. Eu poderia ter acabado igual às mulheres que foram mortas (Letícia e Genir), mas tive sorte”, disse.

Outros casos

Ainda na tarde desta segunda-feira (2/9), uma diarista de 46 anos também procurou a 31ª DP. De acordo com ela, o cozinheiro tentou abusá-la na manhã de 14 de abril deste ano. “Estava na parada de ônibus da Feira Regional de Planaltina. Moro em Arapoanga e ele passou dizendo que ia para lá. Entrei no carro, mas vi que ele estava indo para o caminho errado”, contou à reportagem. “Ao perceber que havia algo errado, menti. Disse que era ex-presidiária por ter matado um homem e que faria isso novamente. Ele se assustou, deu ré no carro e ficou calado. Em seguida, parou e eu desci”, desabafou.

A vítima disse que Marinésio ainda pediu um beijo quando ela estava descendo do carro. “Senti-me envergonhada com a situação. Não quis contar para ninguém até hoje. Por causa disso, faço tratamento psiquiátrico e já tentei tirar minha vida. O caso e todos os crimes imputados a ele me fizeram piorar”, lamentou.

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A terceira mulher a procurar a 31ª DP foi uma estudante de 21 anos, que contou ter sido atacada dentro do carro do agressor. O caso ocorreu em 2017, quando ela tinha 19 anos. Ela saiu da casa de uma amiga, no Núcleo Bandeirante, e desembarcou na Rodoviária de Planaltina, por volta das 18h. Ali, ela aguardava a condução para chegar em casa, no bairro Vale do Amanhecer, na cidade.

“Ele (Marinésio) se passou por motorista de transporte pirata e, como tinha o costume de pegar esse tipo de condução, entrei no carro dele. Mas, no trajeto, ele passou direto nas paradas e não pegou outros passageiros. Fiquei nervosa, mas não demonstrei estar desesperada. De repente, ele começou a falar que eu era muito bonita e passou a mão em mim. Entrei na onda dele porque senti que a qualquer momento ele poderia me matar”, salientou

Com medo, a estudante não reagiu às investidas do motorista. “Ele não tirou a mão de mim. Para sair do automóvel, prometi que sairia com ele. Fiquei tão assustada que me mudei no outro dia, porque ele viu onde eu residia”, disse. “Só decidi denunciar porque minha mãe me incentivou. Quero que ele fique preso o resto da vida”, finalizou a jovem.

Reconhecimento

Nesta semana, Marinésio Olinto será levado à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), para ser reconhecido por duas supostas vítimas. As mulheres, uma adolescente de 17 anos e uma copeira de 43, afirmaram que o cozinheiro as obrigou a entrar em um veículo vermelho. No sábado, o irmão do suspeito prestou depoimento na unidade policial e disse que tinha um automóvel nessa cor que emprestava a Marinésio eventualmente.

O cozinheiro está preso no Departamento de Polícia Especializada, no Complexo da Polícia Civil, no Parque da Cidade, desde 24 de agosto. Como é suspeito em outros inquéritos policiais, ele deverá ficar detido no local até que a Justiça converta a prisão temporária de 30 dias em preventiva — sem data de expiração. Só então será encaminhado para o Complexo Penitenciário da Papuda.

Marinésio já prestou depoimento na Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS) na quinta-feira passada. Apesar de ele negar o envolvimento no desaparecimento da doméstica Gisvania Pereira dos Santos, 33, ele ainda é suspeito, segundo o delegado Leandro Ritt, chefe da unidade especializada.

“Ele segue como suspeito do crime. Mas vale destacar que o perfil de atuação no desaparecimento da Gisvania não se encaixa perfeitamente no modus operendi de Marinésio. Ela não estava em uma parada de ônibus, como as outras vítimas. Contudo, não descartamos a autoria do Marinésio. Aprofundaremos nossa investigação técnica, colocando-o na cena do crime. Ele segue como uma das linhas de investigação”, garante Leandro Ritt.

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