Polícia investiga se houve erro médico em morte de jovem no HRT

Rian Marinho, de 18 anos, ficou internado oito dias no hospital antes de morrer, em 18 de junho. No prontuário médico do dia, há a indicação de que "houve punção acidental arterial em virilha direita, com grande sangramento"

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou um inquérito para apurar se a morte de um jovem de 18 anos foi ocasionada por erro médico. Rian Marinho dos Santos Pinto ficou oito dias internado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) antes de falecer, na quinta-feira passada (18/6). Ele deixou uma namorada, grávida de sete meses. No prontuário médico, há indicação de que ocorreu “dificuldade técnica na punção do cateter e houve punção acidental arterial em virilha direita, com grande sangramento local”. Familiares da vítima vão realizar um protesto pacífico em frente à unidade de saúde, neste domingo (28/6).

O pai do jovem, o vigilante Rômulo Gerônimo dos Santos Pinto, 38 anos, relata que Rian começou a passar mal em 2 de junho. Ele chegou a buscar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, e recebeu diagnóstico de dengue, “mesmo com um raio-x apontando a presença de uma massa não identificada na traqueia, ele mandou meu filho para casa e receitou dipirona”, afirma o pai.

 

Como Rian não apresentou melhora no quadro de saúde, ele e a família buscram atendimento duas vezes no Pronto-Socorro do HR, antes que ocorresse a consulta com uma oncologista, por causa do resultado do raio-x, em 12 de junho. “A médica recomendou a internação do meu filho, pois achava que poderia ser leucemia. No entanto, ficamos três dias no pronto-socorro. Ele só foi levado para um quarto no dia 14. Só então é que começaram a realizar os exames”, explica.

“Passamos quatro dias dentro do hospital, sem que houvesse atendimento apropriado. Enquanto isso, meu filho estava com febre, inchaço e tinha a suspeita de sepse (uma infecção generalizada em que o próprio organismo reage de forma inadequada à infecção, que pode estar em qualquer órgão). Quando os exames começaram, fizeram uma biópsia para confirmar ou descartar a leucemia, mas não havia laboratório para realizar a análise”, conta Rômulo.



Para que Rian recebesse o melhor tratamento, a família e amigos do jovem realizaram uma campanha para arrecadar R$ 800 para o exame de leucemia. O resultado deu negativo e o jovem continuou apresentando piora no estado de saúde. “No dia 16 de junho, passei o dia inteiro com o meu filho. Ele estava muito debilitado, com as pernas inchadas e os braços machucados, pelas inúmeras tentativas que as enfermeiras fizeram para pegar uma veia para retirada de sangue. No outro dia, meu filho precisou ser transferido para a UTI e ainda não havia nenhum diagnóstico”, relata.

Segundo Rômulo, Rian foi levado para a Unidade de Terapia Intensiva às 17h de 17 de junho. “Eu fiquei muito preocupado, porque ninguém me informava o que estava acontecendo. Quando vi meu filho pela última vez, por alguns minutos, eu percebi que ele estava muito diferente. Eu pedi para que ele fosse forte, que iríamos ver o nascimento do filho dele juntos. Quando os enfermeiros levaram a maca para a UTI, percebi que ela estava encharcada de sangue. Naquele momento, não consegui raciocinar e reagir”, detalha.

O vigilante diz que recebeu uma ligação da equipe médica do HRT às 6h40 de 18 de junho. “Pediram que eu e minha família fôssemos ao hospital, porque meu filho tinha piorado e estava nos instantes finais de vida. Quando escutei aquilo, não podia acreditar. Eu, minha mãe e minha filha, irmã do Rian, fomos para o Hospital de Taguatinga, mas quando chegamos, era tarde demais. Meu filho já tinha falecido.”

“Eu nem podia imaginar que a última vez que eu veria meu filho com vida seria em uma maca, indo para a UTI. Apenas tive a chance de dizer que o amava muito. É muito difícil conseguir lidar com toda essa situação. Meu filho morreu e sequer sabemos o motivo, pois não houve detalhes no atestado de óbito”, detalha Rômulo, emocionado.



Investigação
No prontuário médico de Rian Marinho, durante a internação no Hospital Regional de Taguatinga, há o detalhamento de todos os dias em que ele ficou na unidade hospitalar e corroboram os relatos do pai sobre o sangramento que o rapaz apresentava e a punção acidental de artéria na virilha direita.

De acordo com a delegada Elizabeth Cristina Frade, adjunta da 12ª Delegacia de Polícia, foi instaurado um inquérito para apuração do caso. “Ainda é um caso muito recente e, portanto, não está definida uma linha de investigação. Houve o pedido de perícia para indicar a causa da morte do paciente e, assim, poderemos identificar e comprovar se houve erro médico ou não”, explica.

A investigadora também esclareceu que o vigilante Rômulo Gerônimo será chamado para dar mais detalhes sobre o caso. A equipe médica que fez o atendimento e acompanhamento de Rian Marinho também terá de prestar depoimento na unidade policial.

Por nota oficial, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informa que a direção do Hospital Regional de Taguatinga irá colaborar com as investigações em curso na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro). “O caso também foi submetido à comissão de ética da unidade”, frisa.



“A direção esclarece que não havia contraindicação para realização do procedimento, mas há alguns riscos como, por exemplo, sangramento contínuo pelo sítio de punção. Havia suspeita de neoplasia maligna. A direção se solidariza e se coloca à disposição da família”, finaliza o texto enviado pela pasta.

Tags #morte #erro médico

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Paulo Tavares

Paulo Tavares Jornalista redator responsável pelo portal DF em FOCO. Reg, 0010479/DF Meu compromisso é com a verdade. Doa a quem doer...

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