Mulheres skatistas da região sul do DF resistem ao preconceito e ocupam pistas

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE



É a vez delas nas manobras

Com skate na mão, elas estão nas ruas, rampas e bowls. Fazem manobras, pulam obstáculos e disputam competições. Assim, mulheres ocupam espaços tradicionalmente masculinos e provam que talento para práticas esportivas independe de gênero.

Esse movimento do skate feminino se fortalece em todo o País e chega também a cidades como o Gama e Santa Maria, na região sul do Distrito Federal. Aqui, crianças e jovens encaram preconceitos e se jogam na vida sobre quatro rodas.
Para algumas, a paixão pelo skate começou logo cedo. Aos 6 anos, Kimberly Darphyne Gomes, de 13 anos, começou a se interessar pela prática. Arriscou algumas manobras, mas logo depois parou de andar. Foi, então, aos 11 anos que decidiu se dedicar e ir para as pistas.

“Eu admirava meu irmão andando de skate e achava muito massa. Ele montou um para mim e eu comecei andar. Vou todo dia, gosto de aprender novas manobras, gosto do ambiente. O skate para mim é tudo”, diz a skatista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE



Na Santa Maria, Kimberly é a única menina da pista de skate. Ela conta que sofreu discriminação assim que começou, mas agora tem o apoio dos outros skatistas. E, quando planeja o futuro, é sempre com a prancha do lado e o tênis no pé. “Me vejo andando de skate, participando de campeonatos fora do Brasil, morando em outro lugar”.

Nem sempre, o primeiro contato com skate desperta um amor inabalável. Às vezes, as marcas podem ser de machucados mesmo. É o caso de Brenda Fernanda Duarte, 17 anos. “No dia que eu comprei o skate eu levei uma queda e nunca mais quis andar. Aí depois de um ano comecei a vir para pista e aí foi muito legal. Primeira vez que eu desci daquela rampa ali eu me senti muito skatista”, lembra Brenda.

Hoje, a jovem usa o skate como meio de transporte para ir à escola e todos os dias está na pista de skate do Gama. “Toda vez que eu estou triste, venho andar de skate e aí fico feliz. Se eu estou com raiva, venho andar de skate e fico feliz. Se eu estou feliz, venho andar de skate e fico mais feliz”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE



Machismo ainda é obstáculo

Um dos principais obstáculos enfrentados por mulheres está fora das pistas de skate é o machismo. Foi esse um dos motivos que fez com que a estudante de jornalismo Stephany Silva, 26 anos, desistisse, por um tempo, de praticar o esporte.
“Eu queria andar de skate, mas os meninos ficavam zoando. Diziam que não era coisa de mulher e isso me desestimulou. Depois, eu vi uma menina andando e aí pensei não vou ligar para o preconceito e vou andar também”, conta.
Há cinco anos, ela então começou a andar por hobby, mas hoje já encara com mais seriedade o esporte. “Eu andava para subir no skate. Era uma fuga, era para aliviar do trabalho, da faculdade, das obrigações de casa. Era para ter um refúgio. Para mim o skate era isso, subir em cima e sentir a sensação de liberdade. Hoje já tenho mais compromisso porque comecei a participar de campeonato e vejo que tenho que evoluir”.

A presença de mulheres em competições cresce, mas mesmo nesses espaços não há plena inclusão. Elas precisam lidar com o preconceito. As premiações, por exemplos, para o skate feminino costumam ser inferiores aos valores que os homens recebem. Além disso, as skatistas se queixam que não recebem apoio de empresas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE



“A gente gasta muito com tênis, shape, roupa, roda, rolamento. Além disso, precisamos ter dinheiro para ir a campeonatos, para ir andar na pista e hoje não temos esse incentivo para as mulheres. A gente precisa muito disso. Qualquer ajuda é válida”, diz Stephany.

O desejo de Stephany, Kimberly, Brenda e outras tantas skatistas é que de fato haja respeito e igualdade. Só assim, o esporte no País ficará ainda mais fortalecido e democrático.
No ano que vem, em março, o Gama sediará um campeonato de skate voltado exclusivamente ao público feminino. A competição acontece durante o evento Skate Sound Park e as informações serão divulgadas em breve.

Por: Larissa Mantovan
Fotografia: Clesio Barros

Paulo Tavares

Paulo Tavares Jornalista redator responsável pelo portal DF em FOCO. Reg, 0010479/DF Meu compromisso é com a verdade. Doa a quem doer...

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!
Fechar

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios
Advertisment ad adsense adlogger