As duas faces do Covid-19 em Brasília

Governador Ibaneis Rocha envia informações à CLDF que aponta duro golpe na economia local. Foto: Renato Alves/Agência Brasília

Todos nós acompanhamos de forma apreensiva a pandemia do coronovírus no mundo e na nossa cidade. Somos bombardeados diariamente com números daqueles que foram contaminados, internados, testados e também mortos pela doença.

Somos orientados a adotar os cuidados de prevenção. Alertados dos perigos e das formas de contágio. Informados da insuficiência dos recursos hospitalares e médicos para tratar um número explosivo de pessoas infectadas. Há discussões intermináveis sobre a melhor forma de realizar o chamado isolamento ou distanciamento social.

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Atitudes de governantes e políticos são  criticadas ou aplaudidas.

Tudo isto revela uma face deste problema. Divergências à parte, há também outro aspecto na chamada crise do coronavírus. Ele foge da esfera médica e se encontra na economia. Quais os impactos econômicos e financeiros no Distrito Federal por causa da crise?

Não se trata de discutir apenas se devemos reabrir as lojas e os estabelecimentos comerciais. Se o isolamento deva ser horizontal ou vertical. Se viver livre da doença vale mais do que trabalhar regularmente. Essa discussão toda é um diálogo entre pessoas que não se escutam…

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É preciso reconhecer que na crise do coronavírus há também efeitos colaterais na economia. Efeitos danosos e que ainda não estão quantificados e afetarão muitas vidas no DF.

O governador do DF, Ibaneis Rocha, acaba de enviar para Câmara Legislativa um conjunto de informações que desvendam parte do baque duro na economia local, provocado pela paralisação necessária das atividades produtivas. A arrecadação de impostos vai perder R$ 1,2 bilhão e podemos ter um corte da ordem de 40 mil vagas de trabalho, no pior cenário.

O que significa perder R$1,2 bilhão de arrecadação de impostos? Todos nós sabemos, bem antes desta crise, da difícil situação financeira do DF.

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Há anos a cidade sofre com recursos de menos e despesas demais.

Agora o quadro ficará mais complicado: haverá ainda menos recursos. Significa deixar de pagar ou atrasar pagamentos de inúmeras atividades prestadas ao Governo do Distrito Federal. Atividades como os serviços terceirizados de vigilância, limpeza e conservação. A limpeza, a coleta e a varrição das ruas. O fornecimento da alimentação nos hospitais. O pagamento de fornecedores diversos. O subsídio para o transporte público. O custeio da tarifa do metrô. A paralisação de obras e o atraso ou não pagamento de salários de pessoas que trabalham para a administração pública, servidores públicos inclusive.

Além desse baque na arrecadação de impostos, a cidade que já detinha 350 mil desempregados vai ganhar outros 40 mil.

Ou seja, quase 400 mil pessoas em idade ativa ficarão sem trabalho.

Nossa população economicamente ativa é calculada em 1,8 milhão. Desse total, 22% estarão sem renda ou trabalho nos próximos meses. Um quadro social já grave será ampliado.

Portanto, é necessário também discutir quais os remédios para essa realidade que irá bater na nossa porta.

A contenção da pandemia do coronavírus será alcançada no prosseguimento das medidas de isolamento e precaução já adotadas, alinhadas com a colaboração da população.

Os efeitos da queda de arrecadação e da perda de empregos na economia local terão também de receber atenção.

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O governo do DF, diferente do governo federal, não fabrica dinheiro e nem pode emitir títulos públicos de dívida. Portanto, só poderá sair do quadro que se avizinha com a ajuda da União. Do Governo Federal. Iniciativa como a bolsa emergencial de R$ 600,00 para informais e desempregados; o socorro às empresas via BNDES e demais bancos públicos; a utilização das reservas internacionais na reativação das atividades produtivas; a suspensão dos pagamentos de juros e amortização das dívidas com bancos; o corte e o controle mais rigoroso das despesas não essenciais, todas essas medidas fazem parte de um leque de boas ações que podem ajudar a superar os dias difíceis que iremos enfrentar quando a quarentena passar.

*Raimundo Junior – servidor público concursado da CLDF. Especialista em Políticas e Gestão Pública.

Paulo Tavares

Jornalista redator responsável pelo portal DF em FOCO. Meu compromisso é com a verdade, Doa a quem doer...

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