Ancine cancela apoio a filmes sobre LGBT e negros, diz colunista

Segundo Lauro Jardim, a agência retirou o aporte financeiro de R$ 4,6 mil (cada) aos filmes Greta e Negrum3

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De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) decidiu cancelar o apoio financeiro a filmes com temáticas LGBT e sobre a militância negra. A decisão veio três semanas após a aprovação do órgão da “concessão de apoio financeiro” para que dois filmes nacionais participassem do Festival Internacional de Cinema Queer.

Segundo o colunista, a Ancine mudou de ideia, por pressão do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), e rescindiu o termo de permissão, que dava aos cineastas responsáveis por Greta e Negrum3 uma ajuda financeira de R$ 4,6 mil cada para participar do evento que acontece a partir desta sexta-feira (20/09/2019), em Lisboa.




Negrum3 trata da vivência de pessoas negras em São Paulo, descrito no resumo oficial como: “Entre melanina e planetas longínquos, propõe um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Um filme‐ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora”.

Greta, por sua vez, é estrelado por Marco Nanini, que vive um enfermeiro homossexual fã de Greta Garbo. O filme ainda foi selecionado para o Festival de Berlim deste ano.




O afastamento de Christian de Castro Oliveira

A agência teve o diretor-presidente, Christian de Castro Oliveira, afastado no dia 30/08/2019. A decisão veio do presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Cidadania, Osmar Terra. A medida foi motivada por uma ação judicial contra Castro, que foi alvo das investigações da Polícia Federal (PF) no governo de Michel Temer (MDB). O cargo, atualmente, é ocupado por Alex Braga.




O despacho publicado no Diário Oficial da União da data trouxe a decisão da juíza Adriana Alves dos Santos Cruz, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Segundo Ministério Público Federal (MPF), entre 31/10/2017 e 15/12/2017 Christian Castro Oliveira e dois outros investigados “teriam acessado os sistemas eletrônicos da Ancine e passado informações sigilosas a ricardo Martins, sócio de Oliveira e, à época, sem vínculos com a Agência”.

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