50 anos depois, o time vencedor da Copa do Mundo de 1970 continua sendo o melhor

Pelé marcou dois gols e ajudou em outro na final contra a Itália.

 

De vez em quando, surge um time que se incorpora à psique de uma nação.

Pode inundar um país com esperança. Isso pode fazer com que seus habitantes se esqueçam temporariamente de seus problemas do dia-a-dia. Histórias de vitórias famosas são transmitidas através de gerações.

Para os países menos abençoados com talento e pedigree no futebol, esses times aparecem, talvez, uma vez em uma geração. Para outros, como o Brasil, cinco vezes vencedor da Copa do Mundo, eles se apresentam um pouco mais regularmente.

Mas, apesar das inúmeras grandes equipes que vestiram a famosa camisa amarela, há uma em particular que ainda brilha mais.

O time que conquistou tudo no México 1970 contou com Pelé, Jairzinho, Gerson, Tostão, Rivellino e Carlos Alberto, o ‘Eterno Capitão’ do Brasil e artilheiro do maior gol da história das finais de Copa do Mundo.

Foi o último gol marcado na copa do mundo – o quarto em uma vitória por 4 x 1 contra a Itália na final – e que simbolizou o mantra Joga Bonito, com o qual o Brasil sempre foi sinônimo.

Nove dos dez jogadores em campo tiveram algum papel na criação do gol, terminando com o passe de Pelé para Alberto, que bateu a bola no canto inferior.



Carlos Alberto.

O capitão Carlos Alberto mantém a Copa Jules Rimet no alto, depois que o Brasil derrotou a Itália por 4 a 1 na final da Copa do Mundo de 1970.

“Vencemos a Copa do Mundo e acho que na minha vida no esporte (esse foi o auge), sem dúvida”, disse Pelé a Don Riddell, da CNN, em uma entrevista em 2016.

“Eu disse: ‘Santos é campeão, vou me aposentar'”, Pelé lembra-se de pensar antes do México de 1970. “Então eu disse: ‘Não, vou jogar a Copa do Mundo. Esta será minha última Copa do Mundo, maio Deus me deu mais uma vez o presente para jogar bem. ‘”

 

Seria justo dizer que suas orações foram atendidas.

Este domingo (21) marca o 50º aniversário da final da Copa do Mundo de 1970 e, olhando para esse torneio, talvez haja também um sentimento de nostalgia. Aquela Copa do Mundo foi a primeira a ser transmitida em todo o mundo em cores, tornando as camisas amarelas brilhantes ainda mais deslumbrantes.

Talvez tenha sido também uma vitória para aqueles a quem hoje nos referimos como ‘puristas do futebol’; O jogo bonito do Brasil contra o catenaccio da Itália, o sistema altamente organizado e defensivo que definiu o futebol italiano por décadas.

“Quando eu era pequeno, meu pai certamente falava sobre esse time extraordinário”, disse recentemente o ex-goleiro Dida, ele mesmo, vencedor da Copa do Mundo em 2002, a Don Riddell, da CNN.

“Uma equipe nunca vista antes, uma equipe que venceria facilmente porque esses eram os melhores jogadores de todos os tempos – e entre eles havia um que fez toda a diferença do mundo, Pelé.”



Jairzinho.

O atacante Jairzinho comemora a vitória do Brasil.

Foto: Staff/AFP/AFP via Getty Images

“Ele é o número um do mundo na minha opinião, o jogador mais forte que já tivemos. Ele provou isso, marcou mais de mil gols. O time de 1970 é o mais forte que o Brasil já teve.”

Dida nasceu três anos após a vitória na Copa do Mundo em 1970, mas as histórias contadas por seu pai fizeram desses jogadores seus heróis também.

Muito antes do YouTube e dos serviços de streaming tornarem até as ligas de reserva mais obscuras disponíveis em todo o mundo, a Copa do Mundo de 1970 foi a primeira oportunidade que muitos tiveram para assistir a essas estrelas em ação.

Nenhum time do Brasil jogava futebol fora do país, então o mundo assistiu com admiração quando esses rostos desconhecidos rasgaram seus oponentes.

No centro de tudo, é claro, estava Pelé.

O atacante do Santos operou um pouco mais fundo na linha de frente de quatro jogadores, enquanto o técnico Mário Zagallo tentava acomodar a infinidade de talentos ofensivos no Brasil.

“Quando eu tinha menos de 20 anos, quase o conheci [Pelé], mas não aconteceu, então fiquei desiludido”, lembra Dida de seu desespero por encontrar seu herói. “Mas então eu finalmente tive a oportunidade e foi uma grande emoção abraçá-lo, senti-lo, conversar com ele.

“É uma sensação extraordinária ver um ídolo tão perto. Essa foi uma grande oportunidade na minha vida.”

‘Outro nível’

Dida fez parte da seleção brasileira vencedora da Copa do Mundo em 2002, outro time considerado por muitos como um dos melhores de todos os tempos.

O trio atacante de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho é um dos mais temidos da história, mas para Dida ainda não seria páreo para a equipe de 1970.

“Eles estavam acima de tudo, outro nível”, diz ele. “Eu sei que o futebol mudou, mas eles certamente venceriam com as mesmas condições hoje e Pelé marcaria.”

“Certamente ocupa o primeiro lugar [nos maiores times do Brasil]. Eles fariam as coisas com facilidade e calma. Não era que os adversários fossem fracos, mas o talento que o time precisava improvisar era impressionante”.

Existem grandes equipes no Brasil desde então. O país venceu mais duas Copas do Mundo,  mas, para muitos brasileiros, o ano de 1970 continua ocupando um lugar especial no coração.



Pelé dribla o zagueiro italiano Tarcisio Burgnich.

Pelé dribla o zagueiro italiano Tarcisio Burgnich, que mais tarde elogiou a estrela do Brasil.

Foto: Staff/AFP/AFP via Getty Images

Foi uma daquelas equipes únicas em uma geração – mesmo para um país tão abençoado com tantos talentos no futebol quanto o Brasil – que teve até a oposição elogiando.

“Eu disse a mim mesmo antes do jogo que ele é feito de pele e ossos, como todo mundo”, disse o zagueiro italiano Tarcisio Burgnich sobre Pelé após a final. “Mas eu estava errado.”

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês). 




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Paulo Tavares

Paulo Tavares Jornalista redator responsável pelo portal DF em FOCO. Reg, 0010479/DF Meu compromisso é com a verdade. Doa a quem doer...

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