Crime da 113 Sul: debates chegam ao fim e júri se reúne para decidir destino de Adriana Villela

Julgamento é o mais longo da história do DF. Não há previsão de quando veredito será divulgado.

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Adriana Villela chega ao tribunal para 9º dia de julgamento; ré chegou acompanhada do advogado (D), do irmão (E) e da filha — Foto: Afonso Ferreira/TV Globo

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Adriana Villela chega ao tribunal para 9º dia de julgamento; ré chegou acompanhada do advogado (D), do irmão (E) e da filha — Foto: Afonso Ferreira/TV Globo

Após mais de 100 horas de sessão, o julgamento da arquiteta Adriana Villela, de 55 anos, chega à etapa final. Por volta das 16h15 desta quarta-feira (2), os sete jurados que analisam o caso se reuniram para decidir se a ré é inocente ou culpada.

O júri deve permanecer reunido pelo tempo que julgar necessário e não há previsão de quando um veredito será anunciado.

Adriana Villela é acusada de ser a mandante do assassinato do pai, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela; da mãe, Maria Villela; e da empregada da família, Francisca Nascimento. Os assassinatos ocorreram há dez anos, no caso que ficou conhecido como “o crime da 113 Sul” (relembre ao final da reportagem).

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O julgamento é considerado o mais longo da história do DF. Nesta quarta, 10º dia de júri, houve debates entre acusação e defesa. Cada parte teve 1 hora e 30 minutos para apresentar os argumentos. Em seguida, advogados e promotores fizeram réplica e tréplica.

Na terça (1º), a arquiteta prestou depoimento por cerca de 8 horas. A arquiteta respondeu aos questionamentos do juiz Paulo Rogério Santos Giordano, da defesa e dos jurados, mas se recusou a atender ao Ministério Público, por orientação dos advogados.

Argumentos da acusação

Durante os debates, o procurador do Ministério Público do DF Maurício Miranda exibiu em um telão trechos de uma carta escrita pela mãe de Adriana Villela endereçada à filha. No texto, Maria Carvalho Mendes Villela fala sobre o temperamento agressivo da arquiteta:

“Adriana, nossa paciência se esgotou. Estamos cansados dos seus destemperos. Se você sofre de agressividade compulsiva, procure um tratamento adequado, porque isso está lhe fazendo muito mal.”

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Procurador Maurício Miranda, do MPDFT — Foto: TV Globo/Reprodução

Procurador Maurício Miranda, do MPDFT — Foto: TV Globo/Reprodução

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O procurador também relembrou a atuação da delegada responsável pelo caso, ainda em 2009, que havia consultado uma vidente para “ajudar a solucionar” o crime. A ex-delegada Martha Vargas foi presa em outubro do ano passado, condenada a 16 anos de prisão.

“A situação mais ridícula que a Polícia Civil do DF já passou”, disse Miranda após exibir trecho do depoimento da vidente Rosa Maria Jaques. “Essa vidente apareceu na mesma época em que ficou constatado que Adriana Villela viajou para Curitiba para buscar outro vidente.”

Durante a réplica, o procurador Maurício Miranda mostrou fotos dos corpos das vítimas e reforçou a brutalidade do crime. “Que morte, senhores jurados. Essa é a morte que ninguém merece.”

O que disse a defesa

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

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Já o advogado de defesa, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse “não foi encontrada uma prova contra a arquiteta”. Segundo ele, a acusação é “frágil” e “não demostra a realidade com os fatos. “Nunca encontraram um prova”, afirmou.

Kakay também apresentou ao jurados um vídeo com a linha do tempo de Adriana Villela no dia do crime. A defesa mostrou, ainda, comprovantes de pagamentos feitos pela arquiteta.

Bate-boca

Por pelo menos três vezes, o juiz Paulo Rogério Santos Giordano, que preside o júri, teve que intervir nos debates entre a acusação e defesa. Os advogados Kakay e Marcelo Turbay discutiram com o procurador Mauricio Miranda e com o promotor de justiça Marcelo Leite.

Um dos momentos em que os ânimos ficaram exaltados ocorreu quando Antônio Carlos de Almeida Castro acusou o Ministério Público de prevaricação – crime em que funcionário público deixa de realizar atos de sua responsabilidade com o objetivo de ganhar benefício para si mesmo.

Em outro momento, Turbay disse que a denúncia era inepta. O procurador Maurício Miranda respondeu que, se a denúncia era inepta, Turbay também era um advogado inepto.

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Entenda o caso

Maria Carvalho Mendes Villela e José Guilherme Villela, mortos em 2009 em apartamento na Asa Sul — Foto: Arquivo pessoal

Maria Carvalho Mendes Villela e José Guilherme Villela, mortos em 2009 em apartamento na Asa Sul — Foto: Arquivo pessoal

Adriana Villela, de 55 anos, é ré por triplo homicídio em um processo com mais de 20 mil páginas. No dia do crime, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, quadra nobre de Brasília, foram assassinados:

  • O pai dela, José Guilherme Villela, 73 anos, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 38 facadas
  • A mãe dela, Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos, advogada, com 12 facadas
  • A empregada doméstica da família, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos, com 23 facadas

Os corpos foram achados, já em estado de decomposição, em 31 de agosto de 2009, na Asa Sul. A perícia demonstrou que as vítimas foram assassinadas em 28 de agosto de 2009, por volta das 19h15.

caso ocorreu em 2009 e ficou conhecido como 'crime da 113 Sul, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

caso ocorreu em 2009 e ficou conhecido como ‘crime da 113 Sul, em Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Adriana sempre negou todas as acusações. A defesa dela argumenta que o “processo é uma distorção psicológica feita pelo Ministério Público”. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, alega que uma “linha do tempo” feita pela defesa comprova todos os passos da acusada no dia do crime.

Já o MP sempre disse ter convicção de que Adriana esteve na cena do crime e foi a mandante dos três assassinatos. Para a acusação, ela tinha desentendimentos com os pais por causa de dinheiro, e essa seria a motivação dos crimes.

Adriana Villela — Foto: Reprodução/TV Globo

Adriana Villela — Foto: Reprodução/TV Globo

Em 2013, três homens foram condenados pela execução dos homicídios. Somadas, as penas de Leonardo Campos Alves, Paulo Cardoso Santana e Francisco Mairlon Barros Aguiar passam de 177 anos de prisão.

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