‘Predador sexual’, diz delegado sobre jovem que confessou ter matado prima de 12 anos no DF

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Adolescente admitiu homicídio, mas negou estupro; polícia ainda investiga as duas hipóteses. Corpo foi encontrado nesta terça, em matagal de Samambaia; Ana Íris sumiu no dia 10.


Ana Íris desapareceu no último dia 10 em Samambaia (Foto: Reprodução/TV Globo)
Ana Íris desapareceu no último dia 10 em Samambaia

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a hipótese de “motivação sexual” para a morte da menina Ana Íris, de 12 anos, que passou 16 dias desaparecida. O corpo foi encontrado nesta terça (26), e um primo de 16 anos é apontado como principal suspeito.

“É um caso típico de predador sexual”, afirmou  o diretor da Divisão de Repressão a Sequestros da Polícia Civil, delegado Leandro Ritt. Segundo ele, o jovem confessou o homicídio, mas negou que tivesse estuprado a vítima.

“Ele disse que sentiu ‘uma coisa’ e resolveu matar a menina.”

Chefe da Divisão de Repressão a Sequestros do DF, delegado Leandro Ritt (Foto: Marília Marques/G1)

Chefe da Divisão de Repressão a Sequestros do DF, delegado Leandro Ritt (Foto: Marília Marques/G1)

Em entrevista coletiva, Ritt afirmou que o caso será tratado como feminicídio pela Polícia Civil. Para ele, o adolescente suspeito nega o estupro porque “tem medo de represálias”.

“Ela era ainda uma menina, brincava de boneca e tinha comportamento de criança”.

Investigação

De acordo com as investigações, há indícios de que Ana Íris foi morta em até 48 horas após o desaparecimento. O corpo foi encontrado em estágio avançado de decomposição no local conhecido como Morro do Sabão, em Samambaia. A polícia acredita que o adolescente agiu sozinho com um golpe “mata leão”.

Bombeiros e policiais aguardam perícia no local onde o corpo de Ana Íris foi encontrado (Foto: Neila Almeida/G1)

Bombeiros e policiais aguardam perícia no local onde o corpo de Ana Íris foi encontrado 

Testemunhas

A Polícia Civil já investigava o primo de Ana Ísis, considerado suspeito desde que foi visto visto por um carroceiro na madrugada do dia 12, caminhando pelo mesmo matagal onde o corpo da menina foi encontrado.

A testemunha disse que desconfiou do comportamento do adolescente, “apressado e agindo de forma estranha”. Já em depoimento à polícia, o suspeito negou ter voltado ao local do crime após a morte da menina, segundo ele, por asfixia.

“Ele contou que a menina pedia para que ele não a matasse”, disse o delegado.

Familiares disseram à polícia que não notaram um comportamento diferente do jovem em relação à prima. Apesar disso, afirmaram que um tio já tinha alertado sobre a necessidade de “manter maior distância entre os dois”.

Tentativa de linchamento

O adolescente suspeito está hospitalizado depois de ter sido agredido por vizinhos da menina logo após o corpo ser encontrado, na terça (26). Entre os detidos, há dois adultos e um menor de idade. Segundo o chefe da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) Eduardo Galvão, eles foram até uma casa próxima ao local do crime e encontraram o adolescente escondido embaixo da cama. O suspeito foi atingido com golpes de facão e barras de ferro.

“Quando o corpo foi encontrado, eles foram na casa do Samuel com a certeza de que ele era o autor. Mas pelo que eles falaram, a certeza deles era somente essa [de terem visto o jovem no matagal], mais nada”, diz o chefe da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), Eduardo Galvão.

Após o ataque, o jovem foi socorrido pelo Samu e levado ao Hospital Regional de Taguatinga, onde permanecia até a tarde desta quarta (27). Segundo Galvão, ele teve um corte profundo na cabeça, mas foi socorrido rapidamente e não corre risco de vida.

Os dois adultos envolvidos na agressão serão indiciados por tentativa de homicídio, e devem permanecer detidos nos próximos dias. O adolescente detido foi encaminhado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), e deve responder por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

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