Material escolar fica 10% mais caro; saiba como economizar

Quem não resolveu a lista exigida pelas escolas em dezembro terá gastos maiores com papelarias e livrarias neste mês, segundo estimativas do setor


Pai de Valentina, Henrique Troccóli enviou a lista da escola para cinco papelarias antes de decidir em qual comprar o material escolar: economia(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Lista de materiais didáticos e comparativos de preços em mãos: a poucos dias do início do ano letivo, começa a se intensificar a busca por itens escolares em papelarias e livrarias da capital. As compras devem pesar no bolso dos pais, uma vez que a estimativa é de que os artigos pedidos pelas escolas estejam, em média, 10% mais caros em relação ao mesmo período de 2018, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae). Para evitar malabarismos com o orçamento familiar no início do ano, a dica é reaproveitar itens, pesquisar entre diferentes estabelecimentos e atentar-se aos descontos para compras on-line.

A procura pelo material didático deve crescer a partir de hoje, conforme o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelaria e Livraria do Distrito Federal (Sindpel), José Aparecido Costa Freire. “Da última sexta-feira do ano até o fim de semana após o ano-novo, os resultados nunca são o que esperamos. Depois desse período, as famílias voltam de viagem e procuram os itens. Daqui até o fim do mês, as vendas terão aumento de 100%”, previu. Freire acrescenta que o segmento aguarda, em 2019, um incremento de 3% a 4% do faturamento.

Para atender a clientela e suprir a demanda, as lojas adotaram o usual esquema de volta às aulas, com reforço da equipe e aumento do estoque. A preparação para o período começou cedo. O diretor comercial da ABC, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Luiz Fernando Zamuner, explicou que o estabelecimento iniciou os preparativos em outubro. “Contratamos seis funcionários temporários e fizemos compras com fornecedores que praticamente dobraram o nosso estoque. Temos uma expectativa de alta nas vendas de 7% a 8% em relação ao mesmo período do ano passado”, detalhou. Ele acrescentou que a loja investiu em novos canais de comunicação com a clientela: “Disponibilizamos atendimento via WhatsApp. Nele, o cliente envia a lista e respondemos com a cotação. Há um retorno enorme”.

Pesquisa

O procurador da Advocacia-Geral da União (AGU) Henrique Troccóli, 42 anos, seguiu as regras à risca e conseguiu fechar as aquisições em um total de R$ 700. “Enviei a lista da escola da minha filha para cinco papelarias, com o pedido de cotação. Escolhi o local apenas após as respostas. Compramos os livros em uma editora que ofereceu descontos, e os demais itens, na papelaria. Restam poucas coisas que eles não tinham no estoque”, contou o pai de Valentina, 11.

As compras ocorreram com um mês de antecedência ao início das aulas. “Aconteceu de, em outro ano, deixarmos para a última hora, e eu começar a estudar sem tudo o que constava na lista. Depois disso, passamos a comprar bem antes. Algumas vezes, em dezembro. Também chequei tudo o que tinha para evitar coisas desnecessárias. Por exemplo, em vez de quatro borrachas, peguei duas”, disse a estudante, que cursará o 5º ano do ensino fundamental.

A servidora pública Deise Gomes, 38, também fez uma peregrinação à procura dos materiais do filho. Motivo: o menino de 11 anos pediu todos os itens com a estampa do super-herói favorito, o Homem-Aranha. “Estive em São Paulo, em dezembro, e achei muitos materiais, como caneta, lapiseira e tesoura desse tema. Chegando a Brasília, procurei os 11 cadernos que ele precisará e as demais coisas, como resma”, detalhou. As aulas do filho começam em 28 de janeiro, mas Deise decidiu antecipar as andanças para evitar filas e falta de opções. Para ela, os preços estão mais salgados. “Em 2018, comprei mais coisas e gastei menos”, lamentou.
“Participo de um grupo de mães da época em que o tive e de outro da nova gestação. Elas deram três dicas de locais. Pesquisei os preços e escolhi o mais viável”, Mariana Lacerda, com o marido, Marcus Vinícius, e o filho Cauã(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

Iniciante

A médica Daniela Moreira, 39, também planejou cada detalhe antes de levar os filhos, Luísa e Lucas, para escolher os materiais que usarão a partir de 16 de janeiro. Moradora de Formosa, no Entorno, ela percorreu cerca de 80km para realizar as compras em uma papelaria específica. “Conhecia a loja, porque viemos outras vezes. Então, nem sequer pesquisei. Há um certo alívio, porque os livros são fornecidos pela escola, e precisamos comprar somente os itens gerais, totalizando R$ 500”, pontuou.

Entre a infinidade de opções, os filhos de Daniela fizeram escolhas temáticas. O menino optou por cadernos de super-heróis, como o Capitão América. “É importante que eles façam parte desse processo por questão de motivação”, explicou. Nos próximos anos, a médica pretende antecipar as compras, como fazia antes. “Em dezembro, os preços são melhores e não ficamos tão próximos da data de início das aulas. Ou seja, se faltar algo, podemos correr atrás”, completou.
A servidora pública Mariana Lacerda, 31, recorreu a orientações de amigas para fazer a primeira compra de material escolar. São cerca de 15 itens que Cauan, 1, usará no maternal. “Participo de um grupo de mães da época em que o tive e de outro da nova gestação. Elas deram três dicas de locais. Pesquisei os preços e escolhi o mais viável”, apontou. Em cerca de 20 minutos, Mariana conseguiu todos os itens de papelaria. “Faltaram coisas que não são vendidas nesse tipo de loja, como brinquedos, fantoches e instrumentos musicais”, disse.

Dicas

Reinaldo Domingos, do canal do YouTube Dinheiro à Vista, elenca orientações para economia no momento da compra de material escolar. Confira:
» Antes ir às compras, a família pode analisar itens do ano passado e selecionar tudo o que pode ser usado novamente este ano, como tesoura, régua e mochila
» No caso dos livros, vale a pena procurar pais de alunos mais velhos para emprestar ou comprar por um preço mais acessível, se estiverem em boas condições de uso
» Algo interessante é reunir alguns pais e comprar itens em atacado, como caixas de lápis, cadernos e agendas
» A partir daí, é preciso fazer muitas pesquisas e traçar um orçamento para ter noção do gasto total
» Não é preciso, necessariamente, comprar todos os itens na mesma loja, mas, se for fazer, é válido pedir descontos
» No dia das compras, converse com o filho sobre o orçamento para que não corram o risco de se deixar levar pelo impulso e gastar mais do que o planejado
» O ideal é sempre fazer os pagamentos à vista, mas, se não for possível, opte por poucas parcelas que caibam no bolso, para não comprometer as finanças de 2019 por vários meses

Atenção

Confira recomendações do Procon para a compra de material escolar:
» Não é permitida a cobrança de taxa extra ou de fornecimento de material de uso coletivo dos alunos ou da instituição. Itens de higiene pessoal, álcool, apagador, grampeador, giz, pincéis para quadro, clipes, cartucho para impressora, envelopes, etiquetas, copos descartáveis etc. são exemplos de materiais de uso coletivo
» A lista de material deve ser acompanhada de um plano de execução, que deve descrever, de forma detalhada, os quantitativos de cada item de material e a sua utilização pedagógica
» É permitido aos pais o fornecimento parcelado do material. A entrega deve ser feita com, no mínimo, oito dias de antecedência do início das atividades
» A escola é proibida por lei de exigir marca, modelo ou indicação de estabelecimento de venda do material, à exceção da venda do uniforme
» Para procurar o Procon-DF, basta ligar para o número 151. O consumidor também pode acionar o órgão pelo e-mail 151@procon.df.gov.br ou ver o endereço de um dos 10 postos do órgão no DF pelo site www.procon.df.gov.br
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