Maconha gourmet vira febre entre usuários de áreas nobres de Brasília

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Polícia Civil do DF identificou a venda de droga sabor limão conhecida como Super Lemon Haze, considerada a erva mais potente do mundo

De olho no alto poder aquisitivo de usuários do Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, traficantes do Distrito Federal passaram a apostar no tráfico de ervas geneticamente modificadas. As chamadas maconhas gourmet apresentam notas de limão, framboesa, cereja e de chocolate. Investigações conduzidas pela Seção de Repressão às Drogas (SRD) da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) traçaram o perfil de compradores e de criminosos, além de terem identificado as principais variações que estão infestando festas na capital da República.

As apurações policiais apontam que apenas um grupo seleto de usuários consegue acesso a esse tipo de maconha. Uma pequena porção chega a custar R$ 1,4 mil. Ao contrário do produto vendido nas ruas e em bocas de fumo, as substâncias gourmet são negociadas em rodas de amigos. “Em quase 100% dos casos, quem vende e quem compra se conhecem. Portanto, eles acreditam que se trata de uma transação segura”, explica o delegado adjunto da 1ª DP, Ataliba Neto.

Os grupos de WhatsApp se tornaram território livre para os traficantes repassarem a oferta da maconha para colegas de faculdade e dos locais onde moram. Alguns criminosos chegam a expor uma espécie de cardápio com uma infinidade de ervas modificadas. É o caso da Super Lemon Haze, criada em laboratório e apontada como a mais potente do mundo, com uma concentração de THC (tetraidrocanabinol) superior a 20% e sabor cítrico. O Metrópoles teve acesso a conversas travadas entre traficantes e usuários por meio do aplicativo.

Reprodução

Lojinha do bagulho
A diversidade oferecida nos grupos fechados fez alguns traficantes criarem postagens com a variedade de opções. Um deles anunciou haxixe – subproduto potencializado da maconha – de sabor uva e origem afegã, considerado um dos mais fortes, raros e caros. O criminoso afirmou ter capacidade de entregar até 1kg do item, ao valor de R$ 10 mil. Ele também oferece comprimidos de ecstasy vindos da Holanda e da Espanha.

Em outro perfil, são anunciadas porções de um tipo raro de maconha chamado de Dark Devil. O nome faz jus à cor do entorpecente e seu forte poder alucinógeno. As folhas escuras são resultado de um cruzamento genético entre várias espécies da Cannabis sativa em laboratórios europeus. O preço chega a R$ 80 por grama.

A quantidade de tipos ofertada pelos bandidos é tão extensa que inclui até cogumelos alucinógenos, por R$ 45 a porção.

Vendas casadas
As investigações conduzidas pelos agentes da SRD resultaram na prisão de 34 traficantes nos primeiros oito meses deste ano. Os policiais identificaram que os criminosos costumam usar as redes sociais para fazer vendas casadas envolvendo ingressos para festas e porções de drogas.

Além disso, os investigadores descobriram a venda de haxixe da África e do Oriente Médio. As sementes raras e caras vêm de áreas rurais do Paquistão e Marrocos.

A reportagem conversou com o perito criminal Bruno Telles, da Fundação de Peritos Ilaraine Acacio Arce e do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil, sobre as características das maconhas gourmet. Segundo ele, ervas modificadas geneticamente podem ser ainda mais prejudiciais à saúde do que as espécies tradicionais.

Não é a mesma maconha que costumava ser consumida nos anos 1970. Naquela época, a erva era mais pura e tinha um teor de THC na casa dos 16%. Atualmente, essas drogas passam por alterações, sofrem enxertos ou cruzamento com outras espécies e concentram alto poder de THC

Bruno Telles, perito criminal

O especialista ressaltou que as maconhas gourmet aumentam em 16% os ataques de crises psicóticas. “A concentração nessas novas espécies é muito alta e pode provocar uma série de efeitos colaterais”, disse.

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