Desrespeito diário: paciente enfrenta via crúcis por consulta no Hran

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Descaso: paciente enfrenta via crúcis por consulta no Hran

Enquanto funcionários dizem que o profissional “está na emergência” ou “que não trabalha mais ali”, a Secretaria de Saúde informa ao JBr. que o erro é da paciente: a consulta marcada para ontem foi com otorrinolaringologista. A mulher, porém, diz nunca ter solicitado esta especialidade.

Procurada pela reportagem, a Saúde disse, ainda, que a consulta com o ginecologista já tem nova data: 8 de agosto, às 8h. Ana Lúcia de Medeiros, porém, afirma que nunca foi avisada disso. No Hran pela terceira vez e pelo mesmo motivo na tarde de ontem, ela soube que o ginecologista não trabalhava mais no setor. A orientação foi retornar no próximo dia 24. “Para tentar marcar. Nem a consulta neste dia estava garantida, porque não tinha vaga no sistema”, explica.

Apesar de não admitir falha na marcação da consulta, a Saúde assegura que a mulher foi atendida de primeira, em maio. “Naquela oportunidade foram solicitados exames e feita a prescrição de medicamentos”, disse a pasta, por e-mail. No retorno da paciente ao Hran, em 31 de julho, não houve atendimento. O médico foi deslocado à emergência — “o que acontece quando há um grande volume de atendimentos na ala”.

A falta de comunicação prévia fez com que Ana Lúcia, o marido e a sogra se deslocassem de Samambaia para o Plano Piloto à toa, nos dias 16 de maio, 11 de julho e ontem. “Gastando gasolina, que está caro. Nunca me ligaram para avisar que ele [o médico] não estava mais no setor”, critica. Com exames solicitados em mãos (mamografia, ecografia transvaginal e ecografia mamária), ela reclama da demora. “Mas vou fazer o quê? Não tenho dinheiro para pagar um médico particular, então espero”, lamenta. Com 51 anos, ela teme ter câncer de mama. Por isso, pagou R$ 240 pelos exames em clínicas particulares para agilizar. “Tem caso na família. Estou preocupada”, afirma.

De acordo com a paciente e com familiares, a desinformação é generalizada no hospital. Funcionários fornecem dados errados e tornam a vida do paciente mais difícil. “Até me dizerem que o médico não atendia mais aqui, me mandaram para dois lugares diferentes. Cheguei até a bater na porta de um consultório”, relata a paciente.

A Saúde informou que o médico em questão continua na unidade, mas na ultrassonografia. O hospital não comentou o porquê de não ter avisado do cancelamento da consulta à paciente nem se pronunciou sobre a conduta dos funcionários do Hran.

Saiba Mais

Há um mês, o JBr. mostrou que a Secretaria de Saúde tinha mudado o sistema de marcação de consultas e exames. O novo modelo permite que procedimentos de baixa complexidade sejam solicitados nas unidades básicas de saúde.

Em seguida, outra reportagem do Jornal de Brasília abordou a recusa do atendimento nos prontos-socorros, sob o argumento de que casos de baixa complexidade ou não urgentes devem ser resolvidos nas unidades básicas. A prática é motivo de reclamações de pacientes.

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