Comboio de viaturas chega a velório de agente penitenciário no Entorno

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Em clima de muita emoção, amigos e familiares se despedem de Rafael Soares, que morreu durante assalto em Valparaíso

JP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

Um comboio de viaturas com as sirenes ligadas chegou, por volta das 10h20 desta terça-feira (26/6), no Cemitério Jardim Metropolitano de Valparaíso (GO), onde será enterrado o agente de atividades penitenciárias Rafael Soares, 28 anos, morto durante um assalto na mesma cidade. O sepultamento está marcado para as 15h.

Além do comboio de viaturas, também está prevista uma salva de tiros. Duas aeronaves devem sobrevoar o cemitério jogando pétalas de rosa.O cortejo formado por viaturas do Corpo de Bombeiros e das polícias Civil e Militar se concentrou no complexo Penitenciário na Papuda e seguiu até o cemitério. Nessa segunda (25), véspera do velório, a informação de que as viaturas do sistema prisional não seriam liberadas para o comboio gerou revolta em praticamente todas as categorias da Segurança Pública do Distrito Federal.

Policiais e membros da categoria de Rafael Soares uniram-se para pressionar a direção da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), que acabou cedendo e liberou tanto veículos quanto servidores para participarem das homenagens ao agente morto.

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Rafael, segundo um amigo, queria seguir a carreira jurídica

No velório, o clima é de muita comoção. O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Distrito Federal, Leandro Allan, disse que Rafael entrou para a profissão   “Ele entrou com 18 anos na profissão de agente penitenciário. Era um jovem com um grau intelectual elevado e de família. Muito amigo e querido por todos. Um cara sereno, ótimo profissional e responsável em suas atribuições”, pontuou.

Entre os colegas, Rafael era conhecido como R. Soares. O rapaz foi morto em frente à casa dos pais. “Existe a suspeita que eles (bandidos) já sabiam que ele era agente penitenciário. Eu entendo que o Estado brasileiro perdeu o controle da segurança pública. Falta investimento em equipamentos e nos próprios servidores”, ressaltou Ricardo Allan.

Um agente penitenciário, que preferiu não se identificar, disse que trabalhou com Rafael durante seis anos.  “Era uma pessoa íntegra, honesta e de conduta irrepreensível. Um excelente profissional, pai, marido e filho. Não há nada que o desabone. O sonho dele era seguir a carreira jurídica. Também estava estudando para o concurso da Polícia Federal”, disse.

O também agente de atividades penitenciárias Erik Marques, 37, trabalhava com Rafael há pelo menos cinco anos. “Pessoa super educada, inteligente e divertida. Era responsável em tudo que fazia e estava sempre tentando melhorar o ambiente a sua volta. Fazia o trabalho dele com prazer, se dedicando além do esperado. Ficamos assustados”, ressaltou.

O crime
O crime ocorreu no bairro Céu Azul, em Valparaíso, no Entorno do Distrito Federal, na terça (19/6). De acordo com a Polícia Civil do Estado de Goiás, o agente estava em um Corolla branco quando foi abordado pelos assaltantes.

Ele teria reagido e iniciou uma troca de tiros. Rafael Soares levou um tiro no maxilar. Ele foi encaminhado ao hospital de Valparaíso, mas teve que ser transferido de helicóptero ao Instituto Hospital de Base (IHB), a maior unidade de saúde do Distrito Federal. Perdeu a batalha pela vida no sábado (23).

Um dos assaltantes ficou ferido e foi levado ao hospital de Santa Maria, mas não resistiu. Acusado de dar fuga ao comparsa que morreu, Rodrigo Dutra de Almeida foi preso na terça (19). Maycon Alef Silva e Melo, o terceiro suspeito, ainda continua sendo procurado.

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