Com base despedaçada, Rollemberg deve estabelecer novas alianças para as eleições de 2018

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Rollemberg, que deve disputar a reeleição no ano que vem, já não tem os apoios de 2014. Foto: Tony Winston/Agência Brasília

 

exoneração de Gutemberg Gomes do cargo de secretário do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, ontem (17), sinaliza que o governador Rodrigo Rollemberg rompeu definitivamente com o PDT, um dos seus esteios na eleição de 2014. E revela o retrato de uma base despedaçada.

Ou “deteriorada”, como prefere classificar o deputado federal Rogério Rosso, presidente do PSD-DF, o partido do vice-governador Renato Santana, que também não deve compor com o PSB de Rollemberg no ano que vem.

Para o presidente do PDT-DF, Georges Michel, é “natural” a saída de Gomes do comando da supersecretaria que ele já comandou e que já esteve nas mãos do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle. “A partir do momento que nós nos desligamos do governo e colocamos os cargos à disposição, já esperávamos que fosse acontecer isso mesmo”, disse ele, ao relembrar a decisão da executiva regional de declarar independência, em vez de oposição ao governo Rollemberg.

A atitude, mesmo que não tenha sido tão incisiva como queriam alguns partidários, soou como provocação ao governador, que já tinha estabelecido um acordo com o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, que se refletiria na composição da legenda com o PSB em nível federal.

O caldo parece ter entornado. “No nosso entendimento, quando se faz oposição, você vota em tudo o que puder para prejudicar o governo e contra tudo o que o governo apresenta. O PDT é independente, no sentido de votar nas questões que interessam à cidade e nas propostas do governo desde que não contrariem os princípios do partido”, frisou o presidente do PDT-DF.

Nas contas de Michel, apenas 23 filiados permaneceriam nos cargos de confiança disponibilizados por Rollemberg. “Nós não temos mais vínculo nenhum com o governo e nossos indicados podem ser exonerados”, pontuou ele, ao lembrar que este número já passou de 100.

Thiago Jarjour, que é secretário adjunto do Trabalho, preferiu se desfiliar do partido a largar o cargo, explica Michel. “Ele fez a opção dele”, confirmou.

Virar à direita

Quando o assunto é 2018, Michel acredita que o governador deve ter uma estratégia de se manter na disputa para defender a reeleição. “ Os partidos de direita estão com ele. E eu acho que ele fez essa opção de construir uma base com estes partidos. A exemplo do PR, que evidentemente não o apoiará quando ele for candidato à reeleição”, citou, ao emendar que “o governador abandonou aqueles que o elegeram”.

Rosso avisa que PSD quer identidade em projetos

“O PSD quer estar com partidos que pensem como a gente”, resume o deputado Rogério, Rosso, seu presidente regional.
O PSD, assegura Rosso, está muito mais preocupada em construir um plano de metas para a legenda. “O partido entende que, muito mais importante que você se posicionar agora (para 2018), é ter um projeto para que Brasília volte a crescer”, disse, adiantando o que o PSD deve lançar nos próximos 15 dias. E, a partir daí, decidir que postura terá com relação ao governo.

Rosso disse que o PSD defende uma candidatura majoritária para o ano que vem. “Mas isso não significa que o PSD vá impor qualquer tipo de vaga. O PSD quer estar com partidos e lideranças que pensem como a gente”, afirma ele, que já governou o DF por oito meses.

“Estamos terminando de fazer um levantamento detalhado de ações que entendemos como relevantes e fundamentais para os próximos meses e anos do DF”, explica, ao deixar entender que o rompimento com o governador é breve. Sobre o despedaçamento da aliança, ele diz preferir dizer que “a base está se deteriorando”.

Decisão colegiada

Depois de lançar o projeto, ele diz que o partido se sentará com os interessados em defender as bandeiras da sigla. “Não queremos fazer alianças apenas para vencer eleição”, argumenta.

O posicionamento político do partido vai ser definido a partir de uma decisão de colegiado, segundo ele. “Vamos consultar as lideranças do partido, o deputado Cristiano Araújo, o Renato (Santana, vice-governador), o Arthur (Bernardes, secretário de Justiça), a executiva, os fundadores… vamos escutar todo mundo”, finaliza.

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