Botijão de gás pode custar R$ 100 a partir de segunda (24)

0
68

Mesmo assim, revendedores falam em segurar preços, para venda não cair

Que os preços dos combustíveis estão altos, não é novidade. Mas, a partir de segunda-feira (24) quem for comprar o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha, poderá se assustar com o custo do botijão. As revendedoras irão aumentar 3,9%, em média, os preços ao usuário final e a unidade pode chegar a R$ 100. Consumidores, que já reclamavam do antigo preço, criticam o aumento. Em soma, motoristas também reprovam os valores do combustível. Nesta semana, o litro de gasolina pôde ser encontrado a mais de R$ 5 em postos da capital.

O preço médio do gás de cozinha era de R$ 73 em julho, conforme o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Nas ruas, a reportagem encontrou botijões de 13kg entre R$ 65 e R$ 95.

Segundo o presidente da Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de GLP (Sindvargas), Sérgio Costa, o reajuste nos valores é devido à data-base dos trabalhadores de distribuição e revenda, que acontece no mês de setembro. “O reajuste foi definido no dissídio das companhias engarrafadoras. Repassaram para a gente essa média de 3,9% e, automaticamente, vamos repassar ao consumidor a partir de segunda-feira”, conta.

Questionado se haveria possibilidade de barrar esse aumento aos consumidores, Costa lamentou a situação. “Infelizmente, hoje, nossas revendas não suportam mais absorver esses reajustes salariais”, resume. No entanto, ele alega que cada revenda estará livre para definir o percentual que será alterado.

O Empório do Gás, em Taguatinga, recebe 380 botijões por dia e, atualmente, cada unidade de 13 kg custa R$ 65 – preço que não sofre aumento desde o fim da greve dos caminhoneiros. O estabelecimento garante que continuará com o mesmo valor. Na área central de Brasília, porém, a realidade é outra. A distribuidora Kero Gás, empresa que faz entregas no Plano Piloto, alegou que o valor deve subir, mas não informou quanto. Atualmente, cada unidade custa R$ 95, com o frete.

Outra distribuidora que não prevê aumento, mesmo com um acréscimo de 10% nos salários dos funcionários, é a Belo Gás, no Guará. Segundo o gerente Vinícius Farago, 27 anos, a decisão é ainda por conta da greve dos caminhoneiros. “Aqui a gente vai manter os R$ 70, porque desde a greve a venda está diminuindo. O pessoal estocou gás durante a paralisação e, se antes vendíamos 500 por dia, hoje só saem 380”.

A dona de casa Maria Auxiliadora Bueno de Freitas, 74 anos, reclama do valor. Apesar do preço alto, ela comenta que na última vez que comprou o preço era maior. “Foi na greve dos caminhoneiros. Um botijão custava cerca de R$ 70, hoje estou comprando por R$ 65”, afirma.

Combustível sob pressão

Além do preço do GLP, consumidores reclamam do valor do litro da gasolina. Em postos da capital, o preço passa de R$ 5 se o pagamento for no crédito. Conforme a ANP, a média do litro de gasolina no DF é de R$ 4,75, com mínimo de R$ 4,57 e máximo de R$ 5,08. Esses valores, porém, eram de 15 de setembro, e o último reajuste da Petrobras aconteceu em 12 de setembro. Depois, veio o reajuste das distribuidoras.

No posto Petrobras da saída do Guará, houve um aumento de R$ 0,40 nos últimos três dias. Não há como saber como será os próximos dias. “A gente só sabe na última hora, quando o caminhão chega e fala o valor“, explica o chefe de pista, Cláudio Costa, 26 anos.

Enquanto isso, os valores pesam no bolso dos consumidores. Moisés Carvalho, 21 anos, não tem carro flex, por isso é refém dos preços da gasolina. “Não tem nem como não vir de carro, o transporte público é muito ruim”, enfatiza. Já o motorista Alcione Alves, 40 anos, tirou o carro da rua e passou a usar metrô e ônibus.

 

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do DF, Paulo Roberto Tavares, o lucro dos donos de postos tem ficado cada vez mais baixo. A cada litro o faturamento é até R$ 0,50. “O setor é visto como vilão, mas não é. Todos sabemos da altíssima carga tributária. O nosso lucro é de 10%, os outros 90% vão para distribuidoras, Petrobras e impostos”, argumenta.

Para ele, o aumento foi necessário. “Foram cerca de R$ 0,32 que não foram nos últimos dias”, aponta. “Estamos no limite. Nossa realidade está ficando insuportável, tanto que nos últimos dois anos mais de três mil frentistas precisaram ser demitidos”, finaliza.

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA