Auxílio-moradia para membros do TCDF revolta médico do Hospital de Base

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Hospital de Base: sem poder atender todos que precisam de tratamento contra câncer. Foto: Divulgação

 

A aprovação do pagamento de auxílio-moradia retroativo a conselheiros e procuradores do Tribunal de Contas do Distrito Federal revoltou de vez o médico Kleber Nogueira de Campos, do Hospital de Base (IHBDF). Ele faz analogia com a situação dos pacientes de câncer, mais de mil apenas na fila de um dos exames, a radioterapia, para dizer que sua tolerância chegou ao fim. Diante do gasto previsto em R$ 1,6 milhão no TCDF, ele organiza um ato de repúdio a esta despesa que considera totalmente descabida.

 

Kleber: “Cansei, como cidadão e médico, de assistir à malversação de recursos públicos por esses caras”. Foto: Facebook

 

Por isso, Kleber organiza um ato público para esta quinta-feira (31), no Eixo Monumental, a partir das 15h para que o cidadão não aceite “o uso indevido do nosso dinheiro pelos conselheiros e procuradores do TCDF”. O médico acentua que “a  maioria dos nobres conselheiros tem moradia própria em Brasília e todos estão cientes das dificuldades fiscais que o DF enfrenta, ou deveriam estar, considerando seus cargos, e a missão principal do órgão ao qual servem. Isso é inadmissível, inaceitável, ilegítimo, imoral e ilegal”.

Gota d’água

O pagamento do auxílio-moradia no TCDF refere-se a um processo de 2014. A corte reconheceu a dívida de exercícios anteriores, de outubro de 2009 a setembro de 2013. Os conselheiros têm direito a valor mensal de R$ 4.377,73. O cirurgião torácico Kleber Campos, coordenador de residência médica na sua especialidade e com PhD feito em Toronto, Canadá, diz que não consegue engolir isso. “Foi a gota d’água”, justifica. Ele cita vários casos de pacientes e aponta centenas deles que sequer fez a primeira consulta como o pano de fundo para o protesto que organiza.

“Cansei, como cidadão e médico, de assistir à malversação de recursos públicos por esses caras. Enquanto isso, vemos todos os dias pessoas morrendo em condições evitáveis nos hospitais da Secretaria de Saúde do DF. É duro”, desabafa. Ele pretende também passar com carro de som em várias cidades-satélites denunciando o que “o tribunal que deveria estar zelando pela boa aplicação do dinheiro público, está se apropriando dele”.

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