Após encontrar feto no lixo, PCDF prende grupo que vendia abortivos

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Rede de venda do medicamento Cytotec envolve funcionários de farmácias. No mercado clandestino, quatro comprimidos custavam R$ 500

PCDF/Reprodução

A partir das investigações sobre a localização de um feto abortado em uma caçamba de lixo em Vicente Pires, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu um grupo criminoso que fornecia medicamentos abortivos em farmácias de Taguatinga e cidades vizinhas. A operação foi deflagrada na manhã de segunda-feira (26/11), em vários endereços. Uma das pessoas detidas trabalha como lojista na Feira dos Importados e tem passagem pela Polícia Federal por contrabando e descaminho.

“Ela [a mulher acusada de fazer o aborto] disse ter pagado R$ 500 por quatro comprimidos e que foi orientada a ingerir dois e colocar outros dois na vagina, para provocar o aborto. O feto já estava bem desenvolvido, aparentava cerca de seis meses de gestação”, disse o delegado Ângelo Rocalli, da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires).

Veja o momento em que agentes flagram a suspeita com abortivos:

Com base no depoimento da gestante acusada de fazer o aborto, policiais chegaram ao homem que vendeu o Cytotec – droga destinada ao tratamento de úlceras no estômago, mas é mais conhecida pela sua finalidade abortiva. Ele é balconista em uma drogaria em Taguatinga e afirmou ter comprado o medicamento de um funcionário de outro estabelecimento da cidade.

“Nesse outro estabelecimento, fizemos o flagrante de venda, no momento em que o homem negociava com uma cliente. Chegamos à fornecedora a partir dele. Encontramos com ela alguns comprimidos, mas a maior parte estava na casa dela, em Taguatinga. Como já foi presa por contrabando e traz para o DF produtos de São Paulo e até mesmo do Paraguai, estamos investigando a hipótese de ela ter adquirido esses produtos fora”, explicou Rocalli.

Estimulantes sexuais
No vídeo gravado durante a operação, a mulher disse não saber a utilidade do Cytotec e afirma que o suposto dono dos produtos dizia a ela se tratar de estimulantes sexuais. “Eu sou analfabeta de pai e mãe”, defendeu-se.

Nenhum dos acusados de participar do aborto do feto encontrado em Vicente Pires está preso. Os dois intermediários da compra do Cytotec e a fornecedora foram liberados na audiência de custódia perante a Justiça. A gestante e o namorado também acabaram soltos após prestarem depoimento na delegacia. “Eles respondem por aborto e ocultação de cadáver, os outros entram como partícipes. A feirante, por armazenar fármacos de uso controlado”, detalhou Rocalli.

De acordo com o delegado, apesar de os dois vendedores trabalharem em farmácia, as vendas não eram feitas nos estabelecimentos. Eles se valiam da função que ocupavam para conseguir clientes, que iam até eles por meio de indicações.

Metrópoles consultou um farmacêutico para saber os riscos de ingestão do medicamento. Segundo Tiago Rodrigues, a substância não é mais usada no Brasil para tratamento gástrico. “Só é permitida a venda em hospitais especializados em abortos legais. No caso de feto morto, provoca contrações no colo do útero para facilitar a saída”, explicou.

Encontrado no lixo
No último dia 10, um casal de namorados foi indiciado pelos crimes de aborto e ocultação de cadáver, após jogar um feto em uma caçamba de lixo na Rua 12 de Vicente Pires. O corpo do bebê, que aparentava o de uma gestação de seis meses, estava dentro de um saco plástico. O local foi isolado, e o feto, levado para o Instituto Médico Legal (IML).

De acordo com as investigações, o casal – uma mulher de 25 e um homem de 26 anos – estacionou um veículo ao lado da caçamba, durante a madrugada, e jogou o saco em meio ao lixo. Câmeras de segurança de comércios próximos flagraram a ação.

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