Daniela Rezende visita exposição de Athos Bulcão.

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 Um artista brilhante e comprometido com a sociedade.

Por Daniela Rezende

Em comemoração ao centenário de nascimento de Athos Bulcão e suas obras espalhadas em Brasília e em outros estados do artista plástico, o Centro Cultural Banco do Brasil homenageia o artista com a exposição de suas 300 obras, muitas inéditas,  e traz referencia  fontes dos quais se destacam um dos maiores  pintores brasileiros, Cândido Portinari, do qual foi o artista plástico que teve maior destaque no panorama artístico internacional nos anos de 1940, além de realizar obras juntamente com arquitetos como Oscar Niemayer e João Filgueiras Lima, cujo trabalho principalmente desenvolveu  junto a rede Sarah de hospitais. “E muito gratificante também saber que é um hospital, uma escola. É bom trabalhar pra coisas coletivas (…) No Sarah, tenho alguns bichos colocados pelos corredores que foram feitos pensando nas crianças. As crianças ficam internadas por meses. Quando passam para tomar sol ficam vendo uma coisa leve, gostam, criam uma relação afetiva. È muito bom (…)”

 

No Centro Cultural estão expostas obras de azulejaria, desenhos, colagens, pinturas,objetos, esculturas, projetos, estudos e croquis realizados pelo artista, remetendo a características do  período em que se inspirou na azulejaria portuguesa, arte barroca  até a participação do movimento modernista brasileiro.  Uma característica bastante marcante nas obras do artista é a interatividade da qual buscou realizar em sua obras, como por exemplo, destaca em sua exposição: com alguns ladrilhos brancos deixava  os operários terem a liberdade de montar o desenho para comporem as peças finais, o retrato final de seus painéis.

De fácil acesso a população expôs suas obras em escolas públicas, igrejas, parques, hospitais, cujo objetivo não seria enfeitar locais públicos, mas intrigar o olhar de quem passa por lá e fazer sentir uma vontade imensa de montar o quebra cabeças de suas peças, de adivinhar o que o artista estava pensando no momento de sua concepção e disposição dos azulejos.Também há nas figuras de Athos várias significações, nada é gratuito, suas figuras remetem a estampas, muitas vezes remetendo a arte óptica (OpArt), que é uma das manifestações artísticas ocorridas na década de 60 em Nova Yorque tendo como precursor Victor Vasarely.

Por outro lado, muitas de suas obras estão expostas em órgãos, como é o caso dos painéis no Congresso Nacional, tribunais, como há um no Tribunal Superior do Trabalho, hotéis como Palace Hotel, e palácios. Muita gente não conhece essas outras obras porque ficam restritos a lugares mais reservados, que por mais que tenham acesso a sua visita, no caso do Congresso Nacional, são pouco vistos, por conta da falta de hábito da população em visitá-lo.

Infelizmente no Brasil, principalmente em Brasília, quando vemos uma exposição de tamanha magnitude como são as obras de Athos Bulcão, ficamos enternecidos, pois não conseguimos explicar para nós próprios o porque de não contemplarmos suas obras quando passamos por elas, quando muitas vezes andamos com pressa, sem dar importância aos desenhos de Athos, mas não se enganem, ele previa a velocidade de uma capital estampada com suas cores, mesmo na pressa, ela está lá para nos dizer algo, como por exemplo em muitas de seus azulejos dos quais transmitem a desorganização das suas figuras, o caos instalado na correria do dia a dia. E a harmonia da desordem, o cotidiano do trabalhador brasiliense.

E essa interação que o artista provoca, não são obras meramente decorativas e sem função social, Athos era um cidadão preocupado em trazer a arte para o povo, admirador do dadaísmo e do construtivismo russo, que tinha por meta o rompimento com velhas formas de se fazer arte, previa a democratização de suas obras, o livre apropriamento de sua estética e de se comunicar com todos que ali estão envolvidos.

Hoje o papel da arte deveria imitar a preocupação de Athos Bulcão, sendo capaz de sair das galerias e tomar espaço em locais públicos, de educar o olhar do trabalhador sem tempo pra uma visita a exposições, de transformar o cotidiano das paredes lisas por desenhos que propiciem a admiração, o prazer de ver algo que é feito com zelo, com criatividade e com leveza. E essa proposta hoje, tomou espaço nas ruas através do movimento Hip Hop com o grafite, que está dando sequencia a proposta de Athos, de popularizar a arte, mesmo sendo uma manifestação que não se originou nas academias elitizantes artísticas, mas tendo o mesmo propósito, de interagir com a realidade das cidades e do estilo de vida das classes menos favorecidas da sociedade.

Daniela Rezende

 

Entre os dias 16 de janeiro e o dia 01 de abril, o CCBB Brasília, apesenta a Exposição 100 anos de AthosBulcão.

Data: 16 de Janeiro a 01 de Abril
Hora: das 9h e às 21h
Local: CCBB Brasília – Setor de Clubes Sul, trecho 2

FOTOS DANIELA REZENDE

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