Possível vítima de febre amarela foi diagnosticada com virose antes de morrer

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Possível vítima de febre amarela foi diagnosticada com virose antes de morrer
Foto: Arquivo pessoal

 

Há cinco dias, quando o vigilante Eronde Osmar da Silva, de 58 anos, foi ao hospital pela primeira vez, o diagnóstico foi virose. Com febre, dor no corpo e respiração fraca, ele deu entrada no Hospital Regional de Planaltina, cidade onde mora, e fez somente exames que descartaram dengue. Foi liberado para casa, mas voltou a ser internado e não resistiu. Nesta sexta-feira (5), ele foi enterrado e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal investiga se a causa foi febre amarela.

A filha Juliana Kayta, 28 anos, contou ao Jornal de Brasília que os sintomas começaram na sexta-feira (29) e que o pai foi levado à unidade médica na segunda (1º), quando a situação não apresentou melhora. “O teste de dengue deu negativo. A médica disse que era uma virose e o mandou para a casa. Não pediu nenhum outro exame. No dia seguinte, ele piorou bastante”. Novamente no hospital, ele ficou internado.

A primeira suspeita foi de infarto. “Quando trocou o plantão, o outro médico começou a investigar a infecção. Ele pediu exames, fizeram perguntas. Ele disse que investigaria por H1N1 e febre amarela, também suspeitava de hantavirose e leptospirose”, relatou a filha. O caso agravou e houve necessidade de transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), conseguida no Hospital Regional de Ceilândia. Ali, porém, o homem ficou por menos de três horas. “Infelizmente ele não teve muito tempo”, lamentou Juliana.

“Deveriam ter investigado desde o início. Se tivessem pedido um exame de raio-x, a médica já teria visto a situação que estava o pulmão do meu pai, que estava muito debilitado”, reclamou a auxiliar administrativa, mais velha entre as três filhas que prestaram as últimas homenagens no velório às 15h desta sexta-feira.

Febre amarela

Não há comprovação da causa da morte, mas a Secretaria de Saúde confirma a suspeita de febre amarela. O homem trabalhava como vigilante no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (Saan), próximo à área de mata, mas tinha, no cartão de vacina, doses de prevenção à doença, aplicadas em 2001 e 2011. A próxima dose seria tomada dez anos depois, em 2021. No entanto, conforme o novo protocolo de saúde, a vacina só precisa ser tomada uma vez.

Amostras da vítima foram coletadas e enviadas para análise no Laboratório Central de Saúde Pública do DF e no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. A pasta não deu previsão quanto aos resultados dos laudos.

Em nota, a Saúde informou que Silva deu entrada no Hospital Regional de Planaltina em 2 de janeiro e, como seu quadro de febre, dores no corpo e desconforto ao respirar piorou, precisou ser internado. No dia seguinte, ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva do HRC, onde faleceu. A pasta garantiu que “a Subsecretaria de Vigilância à Saúde está acompanhando o caso e o provável local de contágio está sendo investigado, não havendo ainda informações sobre viagens recentes.”

Casos recentes

Em 27 de novembro, um morador do Sudoeste morreu após ter sido infectado, mas o caso só foi revelado na última semana. A vítima era um psicólogo de 43 anos, vacinado contra a doença, e teria sido infectado durante uma visita à zona rural do Jardim Botânico. Na ocasião, o subsecretário de Vigilância em Saúde, Marcus Quito, afirmou que não havia motivo para pânico e, apesar de o homem ter sido imunizado e mesmo assim ter falecido, reforçou a importância da vacinação, pois a chance de funcionar é rara.

Como a secretaria lembrou, em 2000 houve o surto mais grave de febre amarela no Distrito Federal, com 40 registros – 38 deles de moradores de outras unidades federativas, mas diagnosticados no DF. Em 2008, foram 13 diagnósticos da doença e, após esse período, não houve mais infecção por moradores de Brasília. Em 2015, as regiões administrativas anotaram três pacientes procedentes de outras localidades, com duas mortes.

No ano passado, foram investigados 86 casos suspeitos de febre amarela no DF. Destes, 83 foram descartados e três foram confirmados e evoluíram para óbito, dentre eles, o caso do morador do Sudoeste.

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